Society of Sensation

"Como sei que algo existe? Eu vejo. Escuto. Cheiro. Toco. Sinto seu gosto. Eu experimento o mundo através de meus sentidos. E este é um mundo vívido. Olhe à sua volta! Pessoas de todos os tipos, culturas, tudo! Os cheiros aqui vêm de todos os cantos do multiverso... estar em Sigil (ou Terra, em nosso caso) realmente faz-me sentir vivo. Música, artes, toda a vasta tapeçaria do espectro cultural está aqui... é glorioso. O único meio de conhecer algo verdadeiramente, é perceber, sentir, experimentar. Se você não pode fazer isso, então não existe. Conhecer o multiverso é experimentá-lo, e o que procuramos... é sabedoria do multiverso".
Este texto foi retirado do jogo "Planescape: Torment". Como sempre, a Wizards of The Coast e aliadas (como a extinta Black Isle) trazem jogos de iluminar mentes, expandir sentidos, e cheios de novas experiências, no estilo mais "sensate" da coisa. Apesar de fictícia, essa facção representa perfeitamente a realidade que nos circunda. Muitas vezes, meus sentimentos crônicos de vazio eram justificados com perguntas sem respostas daquilo que é ou não é real. Daquilo que traz verdadeiramente uma experiência considerável.
Procurei, filosoficamente, autores que pudessem dar uma definição fixa à realidade. Passei por Descartes, que por um tempo me deixou satisfeito com seu "penso, logo existo". Passei por Hegel, que aceitava a existência de tudo, inclusive das hipóteses. Passei por Sartre, o existencialista limitado por sua própria liberdade. Passei até mesmo por Crowley na busca de experiências que me mostrassem as finas cordas transparentes que puxam nossos corpos no vazio. Todos eles tiveram suas contribuições à minha opinião. Porém, no fim, notei algo: Eles contribuiram apenas para a minha opinião, e não para a realidade em si.
Afinal, olhe para si e pergunte: "O que é real?" - defina, o que é realidade? Você não sabe. Não se preocupe, não é o primeiro a se decepcionar. A realidade inexiste fora da mente, por isso se torna sinônimo de "verdade". E verdades são conceitos. Conceitos, algumas vezes aceitos pela maioria, outros nem tanto. O que é verdade? O governo nos manipula? A Terra é oca? Existem extraterrestres? Ora, cada um tem suas convicções, e acredito que muitos ufologistas me diriam que é inegável a existência de seres extraterrestres. Porém, você já viu um? Já tocou um, sentiu seu cheiro, seu gosto, seus sons? Você é dotado de poucas armas para provar que algo é real, e sempre que prova, é unicamente para você. Quem acredita em duendes, com freqüência passa a vê-los - e então acreditamos que "há mais entre o céu e a terra do que crê nossa vã filosofia, Horácio". Shakespeare que o diga, meus amigos.
Não venho mais questionando a realidade, de forma alguma. A realidade pra mim inexiste. O que existe, são as experiências. As sensações. Pois é tudo o que temos, mire você um objetivo à distância, como o nirvana, ou não. Obviamente, não podemos usar a satisfação dos sentidos para tornarmo-nos hedonistas desenfreados que não sabem se conter mesmo quando estão sendo prejudicados: o exagero leva à ruína, e isso é uma sensação que eu já experimentei. Os vícios são perigosos, e levam à destruição dos sentidos. Haverá pecado maior? Destruir aquilo que nos permite conhecer o mundo?
Todas as experiências, inclusive as "ruins", são válidas, sim! Viva-as como se fosse sua última, mas não viva apenas para elas! Essa é a lei dos "sensates". E minha lei, desde que eu me entendo por gente.
Adieu!

