quinta-feira, 27 de setembro de 2007

"Qual seu terceiro desejo?"

Antes de mais nada, esta é uma obra de Kazuya Akimoto, denominada "Three Skulls" (Três Crânios), em acrílico. Se é necessário que eu fale um pouco a respeito de meu gosto, diria que soubem fissurado com a arte expressionista e abstrata. Caso ainda não tenha idéia de qual escola se trata, cá estão nomes famosos desta escola: Van Gogh e Edvard Munch. Aliás, Munch é um de meus preferidos.
Por ora, chega de arte. Venho apenas partilhar um conto, que começa da seguinte maneira:
"Certa vez, um homem de meia-idade caminhava por uma estrada isolada, tentando se lembrar do caminho de casa. Tendo caminhado por muito tempo, decidiu sentar-se em uma pedra para descansar. Imediatamente após cessar o movimento das pernas, uma velha bruxa, baixa e corpulenta, apareceu diante dele, de sorriso amarelo e cabelos como palha. Apontando uma de suas enormes e negras unhas para o homem, perguntou-lhe: 'Qual seu terceiro desejo?'. O homem, alarmado com a situação, tentou ser racional: 'Como posso fazer um terceiro desejo, se não me lembro de ter feito dois primeiros?'. A bruxa sorriu: 'Seu segundo desejo foi esquecer de tudo, para que as coisas pudessem voltar ao normal. Seu terceiro e último desejo?', insistiu. O homem então pensou, 'que mal pode haver em um desejo?', e pediu então conhecimento absoluto sobre sua própria natureza. Exibindo novamente seus dentes podres, disse a bruxa: 'Meu pobre, pobre homem...', e continuou - 'este foi seu primeiro desejo'. Estalando os dedos novamente, sumiu a bruxa".

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

I'm so shallow


E aí, quem você tá tentando ser hoje? Vai criticar Arnaldo Jabor ou Millôr Fernandes? Vai falar sobre niilismo ou sobre existencialismo? Ou vai dizer que sente ânsia quando vê ignorância política do povo brasileiro?
Seja quem você for hoje, vai lá, campeão! Mostra que você é o intelectualzão do papai! Se isso faz com que você se sinta especial, ótimo. Mas convenhamos, projetar isso sobre os outros é extremamente estúpido. E ah, um conselho, ser infeliz não te torna melhor do que ninguém, só te torna infeliz. Isso foi parafraseado do House, porque eu sou superficial e tiro minhas opiniões da televisão, mesmo que seja da TV a cabo.
Alguém me dê por favor o direito de ser superficial, não existe nada mais profundo por trás do pano: é só isso, um véu e uma parede! Se você quer algo intelectual, deixe-me parafrasear Sigmund Freud: "às vezes, um charuto é apenas um charuto". E tenho o dito.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Like a moth to the flame

Metamorfose. Sempre, metamorfose.
Sinto-me cansado para escrever ou pra falar, mas há necessidade de traduzir com quaisquer outros artifícios o que as palavras não podem fazer. As palavras não dizem nada: experimente a sensação divina e você se tornará iluminado, mas quando tentar colocá-la logicamente nas palavras insossas, nunca sentirá o que sentiu no momento. Não traduza: sinta. Não existe esforço em deixar-se flutuar na água rasa, nem no deitar sobre a grama. Não tenha medo de mudar: o curso natural das coisas é a metamorfose. E quem melhor do que eu, personificação antropomórfica do conceito de dinamismo e inconstância, pra falar da metamorfose?
Ser, em si, já é um pecado! Pecado tornar-se rocha e não água, tornando-se duro e intolerante, paranóico como quem quer se proteger de "influências externas". Quem você acha que é? Uma criatura original? Você é o resultado de uma larva envolta em crisálidas e pupas, e até mesmo a mariposa cai um dia para alimentar a terra, torna-se árvore! Ninguém pode "ser". As pessoas simplesmente "estão". Se alguém tivesse certeza do que é, acha mesmo que teria cerca de sessenta mil pensamentos por dia? Onde estaria o movimento, se fôssemos estáticos como rocha?
Se não encontrar a luz da Lua, mariposa, queime-se no fogo! Sim, o fogo é belo, tal como é mortífero! E o que há de tão ruim na morte que não podemos apreciar sua beleza? Onde está seu medo agora? Onde você o guarda?
Meu caso?... Guardei o meu em uma gaveta, e nem deus, se é que existe tal paradoxo, sabe quando vou tirá-lo dali. Que ele fique muito bem onde está, enquanto eu estarei morrendo no fogo, para não morrer de frio.


P.