I'm too cool for that
É uma pena eu não ter nenhuma foto velha dos meus tempos "mamãe quero ser grunge". Devia ter uns treze anos na época, tinha deixado o cabelo crescer e só usava blusas xadrez por cima de outras desbotadas. É um pouco bizarro eu estar falando sobre a minha pessoa nesse lugar, especialmente porque eu gosto de privacidade - mas não vou dar nenhuma informação imbecil demais, não se preocupem.
Pois é, pois é, eu fiquei com saudade dessa época. Todo mundo bebendo vinho quente, tocando violão e cantando músicas clichês do nirvana. Músicas estas, que estou ouvindo no momento. É, eu não sou alternativo (graças a Netjer), nem quero ser. Gosto de ouvir nirvana, de filmes imbecis de kung fu, não acho bandinhas sem graça como The Killers ou The Strokes geniais - apesar dessas coisinhas terem seus méritos. Mas de qualquer forma, não uso camisas fazendo propagandas de bandas, não sou outdoor pra marcas (o que não implica que eu não use blusas de marca aqui e ali, uso várias lisas da Dzarm. É só não ter nada escrito), e minhas roupas preferidas têm dizeres engraçados ou imbecis.
Sabe essa de pagar de junkie viciado em cigarros, não conseguir falar nada ruim dos filmes do Kieslowski ou Almodóvar e condenar tudo que vem de Hollywood? Não combina comigo. Sabe essa de ouvir merdas sem tamanho e dizer que rock 'n' roll é a melhor coisa do mundo? Também não é comigo. Pras pessoas mais "cool", eu sou um herege. Eu adoro trip-hop, jazz, industrial... E quando digo industrial, incluo nisso aí o Marilyn Manson. Sim, crucifiquem-me.
Agora deixa eu dizer porque é que eu fugi do tema "eufuiummetidoagrungequeamavanirvana". É simples: Porque eu vou retomá-lo agora, dã. Eu quero chegar no seguinte: nessa época, eu achava que havia transcendido a sociedade "massificada", mas era só outro sub-produto dela. Assim, porque enquanto eu criticava "patricinhas e playboyzinhos" (termos que não uso hoje em dia) por disputarem coisas como roupas, dinheiro, festas, etc., eu e meus amigos fazíamos o mesmo, mas de maneira diferente. Tudo girava em torno de quem parecia mais com Cobain, quem tinha o cabelo maior, quem bebia mais vinho, quem era mais "junkie" (mesmo que eu não conhecesse o termo na época) e quem conhecia melhor e mais bandas.
Acontece com todo mundo. Os "alternativos" disputam quem conhece mais diretores - e quanto mais difícil for de pronunciar o nome deles, melhor. Disputam também quem conhece as bandas menos conhecidas. Também disputam pra ver quem se veste melhor, mesmo que essa seja um pouco mais implícita. Ah, e provavelmente disputam quem é mais esnobe também.
Falar essas coisas me deixa feliz, hihi. Adoro zoar tribos urbanas. Os góticos que me perdoem por ter rido tanto às custas deles, mas é simplesmente irrestível demais ver pessoas tentando ser diferentes trilhando justamente o caminho oposto. Tchau \o\


