segunda-feira, 28 de abril de 2008

I'm too cool for that

É uma pena eu não ter nenhuma foto velha dos meus tempos "mamãe quero ser grunge". Devia ter uns treze anos na época, tinha deixado o cabelo crescer e só usava blusas xadrez por cima de outras desbotadas. É um pouco bizarro eu estar falando sobre a minha pessoa nesse lugar, especialmente porque eu gosto de privacidade - mas não vou dar nenhuma informação imbecil demais, não se preocupem.
Pois é, pois é, eu fiquei com saudade dessa época. Todo mundo bebendo vinho quente, tocando violão e cantando músicas clichês do nirvana. Músicas estas, que estou ouvindo no momento. É, eu não sou alternativo (graças a Netjer), nem quero ser. Gosto de ouvir nirvana, de filmes imbecis de kung fu, não acho bandinhas sem graça como The Killers ou The Strokes geniais - apesar dessas coisinhas terem seus méritos. Mas de qualquer forma, não uso camisas fazendo propagandas de bandas, não sou outdoor pra marcas (o que não implica que eu não use blusas de marca aqui e ali, uso várias lisas da Dzarm. É só não ter nada escrito), e minhas roupas preferidas têm dizeres engraçados ou imbecis.
Sabe essa de pagar de junkie viciado em cigarros, não conseguir falar nada ruim dos filmes do Kieslowski ou Almodóvar e condenar tudo que vem de Hollywood? Não combina comigo. Sabe essa de ouvir merdas sem tamanho e dizer que rock 'n' roll é a melhor coisa do mundo? Também não é comigo. Pras pessoas mais "cool", eu sou um herege. Eu adoro trip-hop, jazz, industrial... E quando digo industrial, incluo nisso aí o Marilyn Manson. Sim, crucifiquem-me.
Agora deixa eu dizer porque é que eu fugi do tema "eufuiummetidoagrungequeamavanirvana". É simples: Porque eu vou retomá-lo agora, dã. Eu quero chegar no seguinte: nessa época, eu achava que havia transcendido a sociedade "massificada", mas era só outro sub-produto dela. Assim, porque enquanto eu criticava "patricinhas e playboyzinhos" (termos que não uso hoje em dia) por disputarem coisas como roupas, dinheiro, festas, etc., eu e meus amigos fazíamos o mesmo, mas de maneira diferente. Tudo girava em torno de quem parecia mais com Cobain, quem tinha o cabelo maior, quem bebia mais vinho, quem era mais "junkie" (mesmo que eu não conhecesse o termo na época) e quem conhecia melhor e mais bandas.
Acontece com todo mundo. Os "alternativos" disputam quem conhece mais diretores - e quanto mais difícil for de pronunciar o nome deles, melhor. Disputam também quem conhece as bandas menos conhecidas. Também disputam pra ver quem se veste melhor, mesmo que essa seja um pouco mais implícita. Ah, e provavelmente disputam quem é mais esnobe também.
Falar essas coisas me deixa feliz, hihi. Adoro zoar tribos urbanas. Os góticos que me perdoem por ter rido tanto às custas deles, mas é simplesmente irrestível demais ver pessoas tentando ser diferentes trilhando justamente o caminho oposto. Tchau \o\

sábado, 19 de abril de 2008

Augúrios De Um Povo Insano


Lembro-me de, certa vez, ouvir palavras que soaram como um prelúdio ao apocalipse pessoal da virtude individual. Pouco importa o apocalipse, quero esboçar o momento entre o trivial e o fim dos tempos - que aqui, chamarei de crepúsculo, por motivos óbvios.
Eram tempos difíceis por motivos que não vou me lembrar agora. Talvez eu estivesse superestimando o momento, já que as emoções na época eram tão fortes e arrebatadores. De maneira irônica, não me lembro a razão pela qual ficamos tristes, na época. Nesses tempos, um nobre companheiro anunciou: "Chegou a hora do crepúsculo, meu amigo". Aquilo soou conveniente e correto na época - hoje, já não enxergo com clareza essa coerência.
O crepúsculo, momento que ocorre pouco após o pôr-do-Sol, é a hora em que a luz se torna escassa e rara, criando um horizonte alaranjado. Por muito tempo, a imaginação popular colocou o momento como um anúncio ao abater da escuridão. Já eu, não enxergo dessa maneira. O crepúsculo pode ser também o momento que precede o glorioso nascer do Sol, e é o momento em que a luz se torna mais agradável - não fere os olhos e não cria calor excessivo, além de criar um contraste de cores que se projetam em nosso mundo.
O maniqueísmo inserido no pensamento tradicional, separa luz de sombras em pólos opostos, dicotomizando de maneira categórica um mundo de variedades. Aquele que reside nas sombras é ruim, aquele que reside na luz é bom. Um pensamento tolo que deu origem a atitudes tolas - luz e sombra em excesso cegam. Além disso, só existe escuridão porque existe concepção de luz. Se você acredita que o mundo se tornou excessivamente sombrio, é porque enxerga luz para poder comparar.
Nada é permanente, e a transitoriedade do mundo foi desprezada e tomada como anti-natural, quando na verdade o oposto é verdadeiro. O segredo está em não se apegar em predefinições tolas e invariáveis, duras como rocha. Viver em constante adaptação, aproveitar os momentos de felicidade e tristeza. Soa estranho? Lembre-se de momentos melancólicos, e verá que eles trazem uma estranha sensação de conforto - sim, eles são necessários e são belos, se você souber apreciar sua beleza.

Viver e morrer, agir de acordo com sua idade, tornar-se aquilo que você é, e sentir a agradável mutação que surge com os tempos - assim deve ser alguém que deseja ser completo.

sábado, 5 de abril de 2008

?


Gosto muito de não ter que falar. Gosto muito de não precisar sentir, também. Também gosto de me projetar no vazio ouvindo músicas hipnóticas ou nostálgicas. Gosto de ver desenhos animados antigos, e de escrever essas baboseiras no blog.
É como uma dose bem grande e gorda de endorfina entorpecente. Não me refiro a escrever ou qualquer coisa citada previamente, mas o fato de não sentir. Ausência de sensibilidade também significa ausência de dor.

Não amar - isso é ótimo. Paixões me cansam, como provavelmente cansam o resto do mundo. Quero deitar e dormir, pra sempre - enquanto as pessoas zombam de mim, e eu não sei como reagir. Afinal, há ausência.

Apenas isso.

Ausência.

Agora por favor, apague as velas.