quarta-feira, 23 de julho de 2008

Deus ex Machina

Existe um princípio de imutabilidade em nossa condição, individual e geral. Creio eu que as pessoas têm medo da mudança. Pra falar a verdade, penso que as pessoas têm medo de tudo. Só não têm medo da própria sombra porque a ciência falou que não precisa ter.
Aliás, não posso afirmar nada, porque se a ciência me contestar, eu tô fodido. A ciência é deus.
A ciência é, paradoxalmente, categórica.
Alguém aí tem coragem de contestar algo cientificamente comprovado?

Deus ex Machina era uma expressão utilizada nos teatros gregos, quando as tragédias eram apresentadas. Acontecia tanta merda, mas TANTA merda, que um deus (cheio de maquinarias e cordas, pra fingir que ele está voando, etc) tinha de resolver tudo no final, porque não existia uma escapatória plausível dentro dos limites da realidade comum. Literalmente, a expressão quer dizer: "Deus que vem da máquina".
Tracei o paralelo, pois é mais ou menos assim, hoje. Nós esperamos que as máquinas resolvam todos os nossos problemas. O computador veio pra solucionar problemas que não existiam até então, e trouxe mais. E este é só o exemplo mais banal.
Pra que serve um celular com câmera, mini-filmadora, musiquinhas, joguinhos, etc? Até onde eu sei, o objetivo principal de um celular é a comunicação, não?

Mas é isso que nós esperamos hoje - que as máquinas façam tudo por nós. Filas pra comprar I-phones, celulares cheios de quinquilharias, video-games nextgen, eletrodomésticos descartáveis, tudo feito pra quebrar em pouquíssimo tempo. A quantidade de lixo tecnológico que nós produzimos é absurda.
Não quero concluir o texto hoje. Mantenha a cabeça aberta, e deixe os vermes saírem - eles estão ocupando muito espaço indevido.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Para Além do Bem e do Mal (e do Nietzsche)


Sabe, houve uma época em que eu acreditava que o individualismo era o estado natural do homem primitivo, e que nada poderia ser feito em relação a nossa natureza. Houve também uma época em que li Rousseau, e sua teoria do "bom-selvagem". De Nietzsche a Rousseau, hoje prefiro nenhum. Nietzsche que me perdoe, sei que ele também não era de tudo um autor cheio de dicotomizações - porém, para ele, a moral era estúpida.
Nunca fui ingênuo como Rousseau, ele que me perdoe. Porém, não acredito que haja bondade ou maldade inerentes ao ser humano, ou a qualquer outro ser vivente. LaVey concordaria, pois diria que não há nada de mal no individualismo. Devo concordar - porém, tudo em exacerbo cheira mal. A verdade é que ninguém agüenta uma pessoa egoísta, e isso - com o perdão da palavra - fode as boas relações na nossa espécie.
Estou falando esse monte de baboseiras só como introdução a uma coisa interessante que ocorreu a mim, meus primos e meus amigos, quando fomos plantar algumas mudas de mangueira num terreno que estava bem judiado (vide foto). Sabíamos porque o terreno estava daquele jeito: fogo. E pelas mãos do homem.
Um senhor idoso, na sua monotonia diária, colocava fogo no terreno, simplesmente para assistir. Bem, para nós, o idoso era um vilão. É claro, costumes antigos raramente mudam, especialmente em pessoas mais velhas, o que o tornava para nós o símbolo da inflexibilidade e ignorância, naquele momento. Porém, nesse mesmo dia, fiquei sabendo que esse mesmo senhor plantava árvores que já estavam em bom estado no mesmo terreno, intocadas pelo fogo.
Foi aí que notei, como já deveria ter feito há muito tempo, depois de tanto ter lido sobre o budismo: Não há bem e mal. As pessoas são feitas de várias faces diferentes, e é só. Que somos nós, senão contradições ambulantes?
Que os mestres nunca me deixem olhar para um ser humano com preconceito novamente - que eu possa vê-los como vejo meus irmãos animais.