Direito de ser:
Quem é você?
Não. Você não é seu nome.
Você também não é nenhum de seus gostos.
O que torna o ser ele mesmo, é um imenso conjunto de coisas variáveis e volúveis, quase efêmeras. Não, não procuro denegrir o vir-a-ser. Quem o defende a unhas e dentes é quem mais o denigre. "Sou isso, sou aquilo, gosto disso, gosto daquilo". Mais uma vez, tornamo-nos rochas. Vem com tudo isso um direito e um dever, ser aquilo que é necessário.
Hoje em dia, não se pode ser livremente. Falo especialmente do direito de ser triste. Com toda essa conversa de "encontrar a felicidade", "good vibrations", "o segredo" e qualquer outra baboseira de auto-ajuda, tiraram-nos nosso direito de ser tristes. Ninguém pode ser triste. Se você é triste, está quebrado, precisa de conserto, precisa de terapia, é um emo, e seu psiquiatra vai te receitar prozac. Se não for tomar prozac, vai se dopar dos jeitos imorais: bebendo, fumando, e fazendo sexo com quinze na mesma noite. Não, não podemos sentir dor. A dor é malvada, todo mundo tem medo dela. Livra-me da dor. Dopa-me. Faz qualquer coisa, mas não me deixa sofrer.
Quero ter sempre um sorriso estampado no rosto. Vou abrir meus lábios a faca, pra estar sempre sorrindo, à la Coringa.
