O Vento e a Fúria

Há um tempo atrás, tive uma conversa extremamente esclarecedora com meu primo Lucas, uma das pessoas que reconheço como mais sábias - daquelas que estão sempre pensando no bem, na cordialidade e na paz em primeiro lugar. Aposto que se ele chegar a ler isso, vai humildemente recusar o elogio. Haha
Continuando, falávamos sobre a raiva. Li um conto certa vez que utilizava uma metáfora maravilhosa: Um homem que ia mudar-se de oásis no deserto, resolveu carregar seu camelo com suas coisas. Apesar da quantidade excessiva de objetos pessoais, o camelo resistiu bravamente com todos os objetos em suas corcovas. Foi então que o homem, pronto para partir, lembrou-se de uma bela pena azul que havia herdado de seu pai, uma última lembrança. Resolveu levar a pena consigo e colocou-a em cima do camelo. As pernas do animal tremeram e ele despencou no chão, desmaiado. O homem pensou "Mas o camelo não aguentou apenas uma pena?".
Muitas vezes, ocorre assim conosco. Fazemos brincadeiras leves que podem ser ofensivas - em situações normais nem nos ofenderíamos, mas essa brincadeira pode ter sido a gota que fez transbordar o balde d'água. Por isso, é muito importante que se cultive a cordialidade e calma, sempre.
A conversa que tive com meu primo abordava esse tema - a raiva, especialmente a fúria, o momento de explosão. Meu primo me dizia que sendo a raiva natural, é difícil dizer até onde ela é prejudicial e até onde devemos nos permitir expressá-la. O questionamento era se é necessário reprimir esses impulsos.
Respondi meu primo com uma metáfora que considero válida: há várias formas em que o vento pode soprar. O furacão pode ser natural, mas sempre causa estragos. Se existem alternativas ao furacão, que possamos então ser suaves brisas. Quando deixamos o furacão superar nosso temperamento comum, somos fracos. O furacão pode parecer forte, mas os frágeis juncos que se curvam perante ele permanecem inertes, inalterados. O furacão pode parecer forte, mas forte é aquele que tem capacidade para construir, para resistir às pressões externas e ser sábio para selecionar aquilo que deve aprender.
