terça-feira, 16 de novembro de 2010

Iniqüidade e a Sombra

Eu olho nos olhos de todos os outros, todos os meus iguais. Eu vejo o pesar nos olhos de soldados chineses, vejo a obediência cega. Eu vejo os olhos liqüefeitos das mães que perderam seus filhos, vivos ou mortos. Eu observo os olhos ferozes e agudos daqueles que são a violência de toda a sociedade, a minha violência - eu vejo seu sofrimento e vejo que são instrumentos, como eu. Eu enxergo a pupila circular do ciclo de violência e iniqüidade.
Eu sou morto e meu coração pesa como pedra, pois não bate. Não bate pois não foi feito para bater, foi feito para tornar as costas aos iguais, mesmo quando sente. Eu ouço as línguas e os fanáticos que gritam os nomes do anjo da morte, que pedem, suplicam a ele que leve todos os ímpios e incréus: "Lave a terra, ó Azrael! Leve daqui todos esses reflexos pervertidos de mim!"

E assim vamos, sem sentir, ferindo sem ver, cuspindo em ambas as faces de todo aquele que as tenha.

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